Fez, a antiga capital imperial de Marrocos, deixou-nos uma profunda impressão através da densidade da sua história e da autenticidade da sua vida quotidiana. A terceira maior cidade do país, alberga a medina mais antiga do mundo, Património Mundial da UNESCO, bem como a Universidade Al Quaraouiyine, fundada no século IX e considerada a mais antiga ainda existente. Neste artigo, partilhamos consigo 8 razões para visitar a fascinante cidade de Fez.

Esta é uma opinião completamente independente, baseada na nossa própria experiência. Visitámos a região de forma anónima, fazendo as nossas próprias escolhas e pagando as nossas contas na totalidade.
Vale a pena visitar Fez?
Sim, vá sem hesitar! Fez é uma cidade do mundo, uma concentração de história, artesanato e gastronomia que o surpreenderá a cada passo. Recomendamo-la a todos os viajantes que procuram uma imersão artística, histórica e gastronómica em Marrocos.
Abaixo, enumeramos os motivos com mais pormenor, ou pode consultar a nossa seleção das principais atracções da cidade.

Razão 1 – Uma medina milenar classificada pela UNESCO, a mais antiga do mundo
Fès el-Bali é simplesmente a medina mais antiga do mundo que ainda é habitada. Construída no século IX por Moulay Idriss II numa bacia perto do rio Sebou, possui atualmente 14.000 edifícios classificados, 137 mesquitas e 23 hammams públicos. Ficámos surpreendidos com esta imersão imediata num urbanismo medieval intacto, onde as duas principais ruas, Talaa Kbira e Talaa Sghira, guiam os visitantes através de um labirinto sem fim. Ao deambular pelas ruas estreitas, irá deparar-se com o relógio hidráulico Dar al-Magana com as suas 13 janelas, os fondouks históricos e os terraços interligados que revelam a cidade a partir de cima. Este Património Mundialda UNESCO vale bem o esforço: traga bons sapatos, esteja preparado para se perder e deixe que a medina lhe conte a sua história ao seu próprio ritmo. A entrada é gratuita e há várias portas de entrada, incluindo a famosa Bab Boujloud, com os seus zelliges azuis e verdes, que é um dos símbolos mais fotografados da cidade imperial.
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ONDE FICAR EM FES
Os nossos favoritos: bairros e hotéis
Em Fès El-Bali (medina antiga)
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Fès El-Jdid (perto do Palácio Real)
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Razão 2 – Um património arquitetónico e religioso excecional
Para além da medina, Fès possui uma densidade de monumentos históricos que é rara no mundo. A Mesquita Al Quaraouiyine, inseparável da universidade com o mesmo nome fundada no século IX por Fátima Al-Fihri, é a segunda maior de Marrocos. O seu minarete branco, um dos mais antigos do país, e os seus azulejos verdes podem ser vistos das ruas vizinhas. Um pouco mais à frente, as Medersas Attarine e Bou Inania ilustram o apogeu da arte merinida dos séculos XIV e XV: zelliges com motivos geométricos, madeira de cedro esculpida à mão e estuques de uma fineza notável. Ficámos impressionados com a perfeição decorativa destes locais destinados ao ensino religioso. O Mausoléu de Moulay Idriss II, fundador da cidade, é um importante local de peregrinação no coração da medina, com as suas imensas portas e trabalhos em madeira que testemunham uma arquitetura sagrada excecional. Por fim, os portões monumentais do Palácio Real, no bairro de Fès Jdid, emoldurados por milhares de pequenos azulejos azuis e verdes, constituem um último testemunho impressionante do requinte arquitetónico da cidade imperial.
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Razão 3 – Artesanato ancestral, a alma viva da cidade
Fès é uma das capitais mundiais do artesanato tradicional, e sentimo-lo a cada passo que damos na medina. As fábricas de curtumes Chouara são o seu emblema mais espetacular: mais de 250 famílias perpetuam um saber-fazer secular, tingindo o couro com papoila, índigo, hena ou açafrão, utilizando técnicas que se mantêm inalteradas há gerações. Assistimos a este ballet colorido a partir das esplanadas das lojas de marroquinaria, com hortelã fresca na mão para atenuar os cheiros caraterísticos. Para além das fábricas de curtumes, a medina alberga souks especializados, onde cada rua tem a sua própria especialidade: tintureiros, comerciantes de especiarias, artesãos de cobre, oleiros e tecelões ainda trabalham à mão. O Museu Nejjarine, um tesouro instalado num antigo fondouk do século XVIII, traça a história das artes e ofícios da madeira, desde as tabuinhas do sul até às placas de direito consuetudinário escritas em palma ou choupo. Visitar Fez sem passar por uma oficina é perder a sua própria alma.
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Razão 4 – A gastronomia tem a reputação de ser a melhor de Marrocos
A cozinha de Fès, conhecida como fassia, goza de uma reputação que os próprios marroquinos reconhecem de imediato: é a mais sofisticada do país. Esta tradição culinária milenar baseia-se em tajines de sabores complexos, pastilla com pombo e amêndoas, cuscuz aromatizado com especiarias e sopa harira, consumida para quebrar o jejum durante o Ramadão. Descobrimos também os cornos de gazela, o kaab el-ghzal (cornos de gazela), e o khlii, carne conservada em gordura, duas especialidades que testemunham um saber-fazer herdado e transmitido com cuidado. A região de Fès-Meknès produz também excelentes vinhos, nomeadamente Syrah e Volubilia, que tivemos o prazer de provar. A cidade dispõe de uma grande variedade de restaurantes para todos os gostos e orçamentos, desde o Café-restaurante Moulay Idriss, na rua Talaa Kebira, que serve uma cozinha tradicional e sentida, até ao Restaurante Ishq, com uma abordagem bistronómica colorida, sem esquecer o Restaurante Gayza, no Riad Relais & Châteaux, para uma refeição gourmet num ambiente excecional. Pode também reservar uma aula de culinária e levar as receitas para casa.

Razão 5 – Uma cidade que pode ser vivida tanto quanto visitada
Fez é mais do que um conjunto de monumentos: é uma cidade viva. Berço da música árabe-andaluza desde o século XI, convidou-nos a descobrir o “ala”, a tradição musical clássica marroquina, em serões que combinam gastronomia, cânticos sufis e, por vezes, dança, em riads sumptuosamente decorados. Fomos transportados por estas melodias milenares interpretadas num ambiente intimista. Todos os anos, em maio, o Festival de Música Sacra Mundial reúne artistas de todo o mundo em locais emblemáticos da medina. Saiba mais no site oficial aqui.
Outra experiência interessante a experimentar é o hammam, que faz parte integrante do quotidiano da Fássia, quer seja popular ou mais requintado. Pode reservar o seu tempo no hammam aqui. Finalmente, os serões com jantar e espetáculo tradicional são a forma ideal de terminar um dia de descoberta.

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Razão 6 – Espaços verdes e vistas inesperadas
Poderá pensar em Fès como uma cidade densa e mineral, mas ela reserva-lhe algumas surpresas maravilhosas em termos de natureza e de horizontes. Os jardins de Jnan Sbil, em frente ao Palácio Real, são o exemplo mais eloquente. Criados no século XIX, reúnem mais de 3000 plantas e árvores com mais de cem anos num espaço botânico tranquilo, apelidado de “jardim dos namorados”. Aqui, encontramos um contraponto bem-vindo à azáfama das ruelas, com bigarás, palmeiras, lagos e fontes que proporcionam o cenário perfeito para uma pausa. Para vistas panorâmicas, há dois sítios que se complementam na perfeição. Os Túmulos de Merinides, a necrópole real da dinastia que reinou de 1269 a 1465, oferecem uma vista deslumbrante de toda a medina e das montanhas circundantes do Monte Zalagh. O Forte Borj Sud, uma fortaleza do século XVI, oferece uma vista diferente de 360° da cidade, com o bónus adicional de acesso ao Museu das Armas. Recomendamos-lhe que visite estes dois miradouros em alturas diferentes durante a sua estadia para apreciar a imensidão e a diversidade de Fès.


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Razão 7 – Um destino autêntico e com boas ligações, ideal como base para a sua viagem
Gostámos do facto de Fez ter conservado uma autenticidade que outras cidades marroquinas perderam em parte para o turismo de massas. Menos saturada do que Marraquexe, continua a ser uma cidade animada, onde a vida quotidiana se desenrola diante dos seus olhos nos souks, hammams e cafés da medina. Além disso, a sua localização torna-a uma base ideal para explorar uma região excecionalmente rica. A menos de uma hora de carro, Meknes e o seu património da UNESCO valem bem um dia inteiro de passeio. Volubilis, a antiga capital romana com os seus mosaicos preservados, também pode ser alcançada em menos de 1 hora. A aldeia termal de Moulay Yacoub, a 30 minutos de distância, promete uma pausa de bem-estar entre dois dias de visitas turísticas. Mais longe, as florestas de cedro centenárias de Ifrane e Azrou, no Médio Atlas, e a aldeia espiritual de Moulay Idriss Zerhoun, completam um programa variado de excursões. O aeroporto internacional de Fès-Saïss tem voos diretos de Paris, Marselha, Lyon, Madrid e Bruxelas. A rede ferroviária ONCF liga Fès a Casablanca e Rabat com comboios frequentes e confortáveis.

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Razão 8 – Uma joia a descobrir em todas as estações
Também vai adorar Fez, pois revela uma face diferente consoante a estação do ano que escolher. No inverno, as temperaturas oscilam entre os 15°C e os 18°C: ideais para um longo passeio pela medina sem o calor do verão, permitem visitas culturais aprofundadas numa cidade menos concorrida. Apreciámos este período pelos longos serões passados a bebericar chá de menta nos riads. A primavera é, sem dúvida, a estação mais equilibrada: clima ameno, boa luz para fotografar e, em maio, a atmosfera única do Festival de Música Sacra Mundial, que transforma a medina num palco ao ar livre. As temperaturas variam entre os 22°C e os 28°C.
O verão traz consigo temperaturas mais elevadas, entre os 30°C e os 40°C, mas a frescura dos riads e dos jardins de Jnan Sbil são refúgios bem-vindos. Finalmente, no outono, regressam as multidões mais calmas e as luzes douradas, particularmente belas, nas fachadas ocres da cidade velha. E se estiver a planear excursões ao Médio Atlas, há estâncias de esqui na região, como Michlifen, a cerca de 1h30 de distância.

Algumas desvantagens de uma viagem a Fez
Tráfego intenso e engarrafamentos
Como na maior parte das grandes cidades marroquinas, o trânsito em Fès pode ser denso e por vezes desordenado, sobretudo nos arredores da medina e na cidade nova, nas horas de ponta. As ruas estreitas da medina estão completamente fechadas aos veículos motorizados. Recomendamos-lhe que se desloque a pé dentro das muralhas e que reserve táxis ou alugue carros para chegar aos bairros mais afastados ou às excursões fora da cidade. Os “pequenos táxis vermelhos” oficiais são práticos e baratos para se deslocar na cidade nova. Verifique se o taxímetro está ligado quando entrar.

Estacionamento
Para estacionar em Fez, terá de pensar um pouco. Não são permitidos veículos na medina, pelo que terá de estacionar nos parques de estacionamento oficiais situados perto dos portões de entrada. As opções mais convenientes são o parque de estacionamento exterior em frente a Bab Chorfa e o parque atrás de Bab Boujloud, bem como o parque de estacionamento Ain Zleten na Rue Talaa Kbira. Aconselhamo-lo também a escolher um alojamento com possibilidade de estacionamento se vier de carro. A sua logística será muito mais simples! A cidade nova também dispõe de parques de estacionamento seguros e pagos, mais informações aqui. Lembre-se de que, depois de estacionar, caminhar continua a ser a melhor forma de explorar a medina e os arredores.

Poluição
Fès, como todas as zonas urbanas marroquinas em crescimento, é afetada pela poluição urbana, sobretudo nas principais vias da cidade nova. Na medina, pelo contrário, a ausência de veículos motorizados torna o ar muito mais respirável. Note que as fábricas de curtumes Chouara emitem fortes odores a amoníaco ligados ao processo de tratamento do couro: durante a nossa visita, foi-nos fornecida hortelã fresca à entrada para atenuar esta impressão. Não é desagradável em si, mas é melhor estar atento, sobretudo se viajar com crianças pequenas.

O tempo
Fès tem um clima mediterrânico continental, o que significa verões quentes e secos e invernos frescos e por vezes chuvosos. No verão, as temperaturas podem ultrapassar os 40°C durante o dia, o que torna as longas caminhadas na medina um verdadeiro desafio. Neste caso, recomendamos que visite a medina de manhã cedo ou ao fim da tarde. No inverno, as temperaturas descem e é possível que chova, sobretudo de novembro a fevereiro. Se está a planear excursões ao Médio Atlas, deve esperar condições de inverno mais rigorosas, com a possibilidade de neve. A primavera e o outono continuam a ser as melhores alturas para visitar Fès com toda a tranquilidade.

Fès é uma cidade de realidades sociais contrastantes. A medina, zona classificada pela UNESCO e muito visitada, está lado a lado com bairros operários onde a pobreza é visível. Este contraste pode ser uma surpresa para os viajantes que estão a descobrir Marrocos pela primeira vez, mas é parte integrante da autenticidade da cidade. Encorajamo-lo a abordar estas realidades com respeito e abertura, sem as tentar apagar ou idealizar. Além disso, espere ser abordado por guias não oficiais, especialmente à volta das portas da medina. Prefira os guias oficiais para uma experiência mais serena.

O afluxo de turistas
Com tanto para oferecer, Fès atrai um número crescente de visitantes, particularmente na primavera e no outono, e durante o Festival de Música Sacra em maio, que atrai grandes multidões de toda a cidade. Os locais mais populares, como os Curtumes de Chouara, a Médersa Attarine e a Porta de Bab Boujloud, podem ser visitados na época alta. Para uma visita mais descontraída, recomendamos que explore estes locais de manhã cedo e que reserve os seus bilhetes com antecedência, sempre que possível. O inverno é a época mais calma do ano e as ruas estreitas da medina são muito mais confortáveis para visitar.

Lista de preços
Verificará que, de um modo geral, Fès continua a ser um destino acessível, menos dispendioso do que as grandes capitais europeias. O acesso à medina é gratuito, assim como aos jardins de Jnan Sbil e aos espaços exteriores em redor dos monumentos. Para visitar as medersas, bem como o Palais El Glaoui, tem de pagar uma pequena taxa. Por outro lado, os alojamentos de charme em riads históricos e os restaurantes gourmet têm preços comparáveis aos padrões europeus. Aconselhamo-lo a reservar o seu alojamento com antecedênciaespecialmente para os riads bem localizados na medina, onde a disponibilidade se esgota rapidamente na época alta.

Como chegar a Fez
Fez é a terceira maior cidade de Marrocos, situada no norte do país. Existem várias opções para lá chegar:
- De avião: O aeroporto internacional de Fès-Saïss fica a cerca de 30 minutos de carro do centro da cidade. Tem voos diretos de muitas cidades europeias – Ver voos disponíveis
- De comboio: a rede ferroviária ONCF liga Fès às principais cidades marroquinas com comboios frequentes e confortáveis. Espere cerca de 3 horas e 15 minutos de Casablanca, 2 horas e 30 minutos de Rabat e serviços regulares de Tânger e Marraquexe.
- De autocarro: as empresas CTM e Supratours servem Fez a partir das principais cidades do Reino. Esta é a opção mais económica, com partidas regulares de Casablanca, Marraquexe e Tânger.
- De automóvel: Fès está ligada pela autoestrada A2 a Rabat (2h30) e Casablanca (3h15), depois a Tânger (4h) pelas auto-estradas A2 e A5. As estradas são de boa qualidade, o que facilita o acesso à cidade a partir das principais cidades marroquinas. Para alugar um carro em Marrocos, recomendamos que faça a sua reserva com antecedência, especialmente durante a época alta, para que tenha muitas opções.
- Por excursão ou transfer privado: se estiver alojado numa cidade vizinha, poderá efetuar visitas guiadas de um ou mais dias, incluindo transporte e visitas, a partir de Meknes, Casablanca ou Rabat.

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